ESCÂNDALO NA SEDUC-CE: empresa “fantasma” ligada a filho de servidora teria movimentado cerca de R$ 3 milhões em contratos no Ceará


 

Uma investigação da Polícia Civil do Ceará revelou um suposto esquema de corrupção envolvendo servidores da Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação (Crede 1), em Maracanaú, e uma empresa apontada como “fantasma”, que teria firmado 118 contratos com o Governo do Estado, totalizando aproximadamente R$ 3 milhões.

Segundo o inquérito, a empresa VMF Construções e Serviços foi aberta em 2019 em nome de um auxiliar de serviços gerais, mas não possuía estrutura física, funcionários, veículos ou atividade real compatível com os contratos assinados. Mesmo assim, teria se beneficiado de contratações públicas realizadas por dispensa de licitação e carta-convite — modalidades mais simplificadas e que, segundo os investigadores, podem facilitar brechas em casos de fraude.

As apurações indicam que o verdadeiro articulador do esquema seria Thiago Veras Mourão Freire, filho de uma servidora que atuava no setor financeiro da Crede 1. Ele teria usado o nome de terceiros para abrir a empresa e viabilizar contratos com o Estado. A mãe dele, segundo a investigação, ocupava posição estratégica dentro da própria unidade onde os contratos eram firmados, o que levanta suspeitas de conflito de interesses e possível favorecimento interno.

O caso ganha ainda mais gravidade porque, do total investigado, mais de R$ 2,5 milhões teriam sido contratados apenas pela Crede 1, o que indica concentração incomum de contratos em um único setor da administração pública. A empresa, de acordo com a Polícia, não tinha sede funcional — o endereço informado correspondia a uma residência simples ligada ao suposto “dono formal”, que trabalhava como auxiliar de serviços gerais e tinha renda de cerca de um salário mínimo.

Durante a investigação, também foram encontrados indícios de que o verdadeiro operador do esquema, Thiago, possuía patrimônio incompatível com sua renda, incluindo veículos avaliados em cerca de R$ 300 mil e investimentos financeiros elevados. Os investigadores apontam ainda possíveis repasses de dinheiro para familiares e servidores públicos, o que pode caracterizar lavagem de dinheiro e ocultação de valores obtidos por meio dos contratos.

Documentos apreendidos na residência da servidora e em outros endereços ligados aos investigados reforçam a suspeita de que a empresa era utilizada como fachada para movimentar recursos públicos. Em depoimentos, alguns citados negaram participação direta nas irregularidades ou afirmaram desconhecer a origem dos valores recebidos, enquanto outros admitiram assinaturas de documentos sem análise mais aprofundada.

A Secretaria da Educação do Ceará informou que acompanha o caso, colabora com as investigações e adotou medidas administrativas após tomar conhecimento das denúncias, incluindo exoneração de servidores envolvidos em cargos comissionados.

O caso segue sob investigação e é tratado como um dos mais graves já apurados na estrutura educacional do Estado nos últimos anos, envolvendo suspeitas de fraude em contratos públicos, uso de empresa de fachada e possível esquema de lavagem de dinheiro dentro de uma coordenadoria regional da Seduc.

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